quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Escolhas

Como aceitar que as portas que me são apresentadas diariamente me trazem oportunidades infinitas de mim mesma, quando o meu vício é achar que ao aceitá-las outras se fecham no caminho que ficou para trás, deixando suas chaves perdidas no tempo?

O exercício manifesto de descobrir a mim mesma no caminho presente e diverso. Saber quem sou no desapego e entender que partes do meu aprendizado não devem se instalar como o fim de tudo e solidificação dos desejos e anseios.

O exercício de saber que neste exato momento o que me importa é o que vem a seguir e não o que me impede de continuar.

O exercício de ser, infinitamente e apaixonadamente.

Essa é minha busca atual...

Imagem tirada da internet

sábado, 26 de setembro de 2009

Pedras



"De vez em quando Deus me tira a poesia, eu olho pedra e vejo pedra mesmo."

(Adélia Prado)

Ultimamente as pedras têm sido mais visíveis do que a poesia. Eu quero mais poesia! Para cada pedra vou procurar reencontrar uma beleza ou gentileza ou delicadeza pelo caminho.

Crédito da imagem:
http://www.flickr.com/photos/andarilhouniversal2008/3243476187/sizes/l/

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Black or White - Uma estrela se apaga











Esta semana tivemos a notícia de que o ícone da música pop, Michael Jackson, faleceu. Por todos os lugares houve um choque e uma comoção imensa. A mídia reprisou a notícia dias seguidos e todos os meios de comunicação exploraram a audiência repetindo exaustivamente o acontecimento nos noticiários, revistas publicaram especiais com a história e pôsteres do astro, seus discos venderam cópias e mais cópias após sua morte. A despedida trágica e triste de um artista considerado um dos melhores do mundo e ainda sem sucessores.

Eu admirava o talento de Michael Jackson, o achava insuperável, sua forma de dançar e cantar únicos, seus clips históricos. Sua história uma das mais tristes e as conseqüências da mesma o levaram a uma vida de complicações. Desde a exploração de seu pai (um dos homens mais detestáveis em minha opinião) à exposição na mídia pelas acusações de abuso, fizerem dele um refugiado de seu próprio mundo. O que ele viveu, no entanto, dificilmente será entendido. Vimos a degradação física e emocional de Michael Jackson e isso eu acho assustador. Ainda me choca ver a sua transformação e o que ele se tornou e tudo que sinto é compaixão por este talentoso ser humano que se perdeu no meio de todo o caos provocado a sua volta.

O que me faz ficar ainda mais compadecida é o fato de uma mídia oportunista ter colaborado para o fim de tudo o que ele construiu. Um garotinho faz um sucesso estrondoso e anos mais tarde descobrimos o que os irmãos tiveram de suportar para chegar aonde chegaram, mesmo assim ele continua trilhando a carreira e arrebata fãs por todo o mundo, se torna um dos mais rentáveis artistas de todos os tempos e ai de repente este castelo começa a ruir e o que vemos é um homem frágil, com um olhar triste e que para fugir de tudo constrói um universo mágico que o tire deste palco de leões. Amado por seus amigos, Michael Jackson faz surgir a história de um Peter Pan e sua Neverland e observando a reação causada por sua morte, eu acredito que nós todos acabamos por acreditar que algo do tipo jamais aconteceria com ele, o víamos como um Peter Pan.

O fato é que nunca estamos satisfeitos com o que nos é oferecido e sempre exigimos mais e mais e mais, sem medir conseqüências, sem nos importarmos muito em como essa nossa crueldade perfeccionista será recebida por aquele que é exigido. Quando chegou um momento em que ele não era mais rentável, distribuidora e gravadora o colocaram de lado. Quando sua vida foi arremessada na lama e exposta grosseiramente, os meios de comunicação se fartaram com os escândalos, quase sempre de forma desrespeitosa o insultaram e Michael Jackson de astro e ídolo virou escárnio nos tablóides.

De repente o mundo se une na dor e saudade do garoto que dançava e cantava com suas luvas de lantejoulas brancas e que nos deu um dos clips mais vistos e mais imitados, Thriller. Essa emoção comunitária mostra que tudo é efêmero, todos nós teremos o mesmo destino, não somos melhores ou piores do que ninguém e olhando para a dor do outro nos encontramos. Acho que ai está a beleza destes ícones que admiramos, eles nos fazem ir aos céus e idealizar um lugar de glória e alegrias, mas também nos fazem resgatar nossa humanidade e enxergar nossa condição passageira. Queremos ser o que eles são, queremos ter o que eles têm, mas é muito difícil ter a coragem para enfrentar a exposição que eles enfrentam, enfrentar a falta de privacidade, a quase proibição de terem seus dias de mau humor e solidões.

Penso que deve ter sido bastante difícil ser Michael Jackson, penso o quanto ele também sentia o quão difícil foi ser ele próprio. Triste ver que mesmo após sua morte, milhares de pessoas queiram se aproveitar da figura que ele foi para render audiência, ou dinheiro, ou status. Mas assim caminha a humanidade... com a desgraça do outro, pra fazer com que a sua própria seja minimizada. Covardias!

A vida que nos impomos não é tão branco ou preto como gostaríamos, ela é cheia de nuances coloridas, às vezes desbotadas, às vezes vibrantes, mas que brilham até o fim.

Enfim, uma estrela apagou-se, mas será sempre eterna.

In memoriam!

Fotos tiradas do FLickr





domingo, 24 de fevereiro de 2008

Sampa - Uma cidade que havia esquecido



















Foto Luiz Paulo Marques de Souza

Há muito tempo eu não andava pelo centro da cidade de São Paulo e fazendo isso essa semana redescobri as pequenas maravilhas que habitam um lado cinza e sujo da cidade. A princípio nada percebi de poético neste canto obscuro, pois precisava correr para cumprir todos os meus compromissos a tempo. Depois, na companhia de um amigo pude olhar e ver o que estava acontecendo ao redor e me diverti muito com o passeio.

No caminho percorrido da Praça da República ao Sesc 24 de maio, passamos por diversas cenas e personagens de uma São Paulo peculiar. O homem gritando o jargão do momento para uma mulher vestida de baiana sentada em um banquinho protegida por seu guarda-Sol na companhia de uma amiga. O homem completamente tomado pelo som de sua própria voz cheia de rouquidão e raiva jogou o santinho que estava na mesa da mulher longe e saiu como se não tivesse feito absolutamente nada. Não desistiu um segundo de gritar a plenos pulmões e ininterruptamente: Créeeeeeeeeeeeeeeu!

Mais adianta, ainda ouvindo a voz do homem, cruzamos com uma mulher que parecia saída de uma peça de Nelson Rodrigues, uma daquelas tias famosas em suas histórias. As bochechas cheias de um blush vermelho, olhos pintados de azul e um chapelão preto que compunha o seu figurino. Olhos assustados que aguardavam o sinal abrir.

Fomos mergulhando cada vez mais para o centro, perto da estação Sé do metrô. Lá estavam os religiosos fazendo seus discursos; os policiais a sua ronda; os repentistas fazendo seu show e divertindo os rostos cansados de trabalhadores que param ali para ter um momento de pausa do serviço; a garota de uma ONG sentada no meio dos garotos de rua, conversando, interessada em ajudar os pequenos meninos esquecidos pela cidade; os ambulantes, os homens estátua e os homens-placa que carregam em seu corpo anúncios de propaganda variados. As pessoas que passam por eles nunca olham diretamente em seus olhos, os tratam como homens-placa, mas só percebem a placa e não o homem, o que pode ser bem triste para aqueles corpos de senhores que já viveram tantas coisas e continuam a batalha diária pelo seu ganha pão.

Uma cidade curiosa se observada com receptividade e orquestrados pela arquitetura suntuosa e bela da Catedral da Sé, clicada na foto acima pelo olhar poético de Luiz Paulo Marques de Souza. Ela parece destoar de todo o cinza e imperar com maestria seu espaço. Um lindo quadro que nos convida a conviver e conhecer a história de São Paulo. A cidade da garoa, da esperança, do dinheiro, da cultura, da globalização e das gentes que nela habitam e suas emoções. A São Paulo do caos, do trânsito, da loucura, dos arranha-céus, dos museus, das padarias e bancas de jornal, das praças e avenidas. São Paulo das paixões, dos amores e das ilusões. São Paulo dos encantos e desencantos, encontros e desencontros. São Paulo!

Link da foto - http://www.flickr.com/photos/43422958@N00/371904762/

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

E o meu ano novo vai para...















Foto tirada em Santos/2008

Eu tenho me ausentado do meu próprio blog, este meu cantinho de desabafos e reflexões. Fiz para poder entender o que ele representa e qual a necessidade de escrever em um blog que transita minhas palavras por lugares que nunca vou descobrir. Precisava entender minha comunhão com este meu pequeno espaço que contem meus silêncios.

Foi bastante importante porque a princípio eu o fiz apenas pra colocar meus contos e somente isso. Mas a ausência de inspiração diária que acomete até mesmo os grandes escritores tomou conta do pedaço. Outra coisa foi minha necessidade de comentar impressões de todas as coisas intrigantes que me acontecem ou que presencio pelo caminho. Então, depois desta minha ausência de meses, eu resolvi que vou estar mais flexível para aquilo que eu estiver com vontade de fazer e falar e pensar e sentir sem me enfiar dentro de regras descabíveis, já que este é um espaço de livre expressão.

Um novo ano que começa cheio de expectativas e movimentos intensos. Não sei para onde vou, não seu onde tudo isso vai dar. Espero que esteja forte o suficiente para usufruir todas as suas belezas e saltar todos os seus obstáculos com saborosas vitórias. Este meu novo ano vai para...

Onde o vento me levar e onde o sorriso permanecer!

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Boa noite... para mim!










Foto tirada em Natal, 2005

Tenho uma paixão secreta pela noite... Por diversos anos criei uma relação de cumplicidade e intimidade que me ensinaram a mergulhar em lugares que jamais conseguirei descrever. É difícil pra mim mesma assumir essa relação delicada de dependência e prazer com o lado negro do dia. Como a ovelha negra da família, foi renegada em sua nomenclatura por todos que conhecem o seu poder de sedução e a força que se esconde por detrás de suas sombras. Acordamos e felicitamos entes queridos, amigos e vizinhos com
Bom dia!, Como foi seu dia?, Que dia podemos nos encontrar?, mesmo que nossas melhores horas tenham se passado após o pôr-do-Sol. Assumimos as 24 horas como O Dia, porque sabemos que a noite mantém segredos e delicadas aventuras de uma vida complementar.

Essa minha paixão foi transformada em vício quando comecei achar que estava dispersando os melhores minutos do meu "dia" (olha aí de novo) dormindo improdutivamente. Queria aproveitar cada segundo do seu silêncio, da sua beleza, do seu mistério, do seu perfume, da sua voz velada e da sua sensualidade pra viver esse complemento de mim. Com ela consigo brincar, rir, chorar, confidenciar meus medos, minhas alegrias, meus desejos sem pudor. Consigo sussurrar para sua negritude minha voz cantada. Confesso que esse vício é saboroso e alimenta minha coragem e minha essência, mas estou decidida a me reconciliar com o dia que é dia mesmo e não as 24 horas que se passam ou que vêm a seguir. E estou descobrindo que posso viver como amante desse tempo que passeia pelo universo e transita meu sono, descobrindo que posso produzir mais tendo o Sol como companheiro, sem trair a minha paixão e me deliciando com as histórias que ela me conta em meus sonhos noturnos. Amanhã vou levantar e dizer a todos Boa noite! e perguntar Como foi sua noite?. Agora: Boa noite para mim!

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Simplicidade cativante

Ontem eu estava assistindo alguns programas de Domingo que passam em rede aberta na TV e uma notícia sem grandes sensacionalismos foi a que mais me chamou a atenção: a homenagem de uma cidadezinha para o seu BODE BITU. A cidade sentiu uma grande perda com a morte do bode amigo de todos. O que tem isso de tão especial? Diversos fatores que fizeram eu me sentir mais humana e mais perto do que é essencial ao homem, o amor.
O bode que foi comprado pra virar buchada foi visto como especial pelo seu dono que resolveu não sacrificar o bichinho e a partir daí o bode Bitu virou o grande companheiro desta pequena cidade. Uma cidade que ficou famosa por sua celebridade, a presenteou com uma estátua após sua triste partida. Crianças e adultos se vestiram para um grande dia de festas, pois é desse tamanho a importância deste ser que uniu a todos na inauguração do monumento. O que me impressiona é ver como um fato como esse provoca a união de uma sociedade ou uma comunidade pela beleza, pelo carinho e pela alegria. Sinto que isso é mais comum em pequenas cidades. A simplicidade de reconhecer que até um bode tem o seu valor (emocional). Raramente vemos isso numa grande metrópole como São Paulo.
O que normalmente vemos acontecer é a comunhão das pessoas pela desgraça e pela catástrofe. Todos se compadeceram com a tragédia do 11/09, com os acidentes da Gol e da Tam, com o Katrina e com o Tsunami. O mundo todo de luto, todos ligados pelo mesmo sentimento de abandono e de vazio. É bom ver que isso pode acontecer por motivos mais nobres, mais puros e mais alegres. Mas vivemos um sensacionalismo tão hostil que lucra mais com a venda de catástrofe que com a de singeleza. Ponto para aqueles que ainda permitem bons momentos em sua programação, sem enfiar goela abaixo, o medo e o pânico.